Pesquisa britânica indica o câncer como a força por trás do fenômeno de mudança na cor da pele dos humanos
Sob o grosso pelo preto de um chimpanzé, a pele é branca. A pele humana, no entanto, quase sempre foi negra– pelo menos até alguns milhares de anos atrás, quando a espécie começou a colonizar partes do mundo tão ao norte que a luz do Sol era fraca demais para permitir que a pele negra sintetizasse vitamina D o bastante. Isso significa que, algum tempo após os chimpanzés e humanos terem tido seus caminhos separados, a cor da pele humana mudou. E isso, por sua vez, deve ter exigido algum gatilho evolutivo.
Agora, um novo estudo de Mel Greaves, do Instituto de Pesquisa do Câncer, na Grã-Bretanha, alega ter solucionado a questão, aponta para o câncer como a força por trás da pele negra característica dos humanos. Greaves baseou seu estudo em dados clínicos sobre africanos que não têm pele negra por serem albinos.
O albinismo tem uma série de causas genéticas, mas todas têm as mesmas consequências – a incapacidade de sintetizar melanina. O fenômeno não é bem estudado na África, em parte porque há preconceito generalizado contra albinos, os quais são condenados ao ostracismo em muitas regiões do continente. Graves, não obstante, conseguiu reunir 25 estudos relevantes, e o que ela extraiu deles expõe os riscos da pele branca.
Um deles, realizado na Nigéria e publicado em 1980, verificou que metade dos 512 albinos acompanhados pelos pesquisadores desenvolveram algum tipo de câncer de pele antes dos 26 anos. Outro, realizado alguns anos depois, na Tanzânia, mostrou que metade dos 125 participantes já portava a doença aos 20 anos de idade. Um terceiro, realizado em Soweto, África do Sul, indicou que africanos albinos têm um risco mil vezes maior de desenvolver câncer de pele que seus vizinhos com níveis normais de pigmentos. Um quarto estudo estimou que menos de 10% dos albinos na África equatorial sobrevivem até os 30 anos – com a inferência forte de que o que os está matando é o câncer de pele.
Na África, o câncer mata rapidamente aqueles incapazes de sintetizar melanina. Presumivelmente, a doença também teria arrasado qualquer antepassado humano que teve a ousadia evolutiva de descartar seu casaco peludo sem substituí-lo por uma pele adequadamente escura, capaz de sintetizar a melanina.
Por que os seres humanos se tornaram macacos nus é um mistério ainda sem resposta. As explicações variam desde a facilidade para perder calor à seleção de companheiros pela qualidade da sua pele (agora visível). O estudo de Greaves, porém, remove qualquer dúvida sobre por que, depois de ter feito isso, a mudança na cor da pele dos humanos se tornou essencial.
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